Introdução
“A maior Caridade ao Espiritismo é a sua divulgação”.
Emmanuel
Século XXI - período de grande evolução tecnológica digital.
Evolução que não está restrita apenas aos equipamentos
atingindo também os usos e costumes dos povos.
Atualmente vivemos em um mundo globalizado no qual as
mais diferentes culturas se relacionam não apenas por meio do
comércio, como também por meio da Internet com todos os seus
recursos.
Com o advento da Internet, o conhecimento não ficou
apenas restrito ao tradicional livro impresso. Novas formas de
transmissão de conhecimento surgiram por meio das chamadas
mídias (televisão, rádio, música, cinema) que foram reunidas em
um único canal: a Internet.
O objetivo deste ensaio é defender a idéia de que neste
terceiro milênio o Espiritismo não pode ficar restrito apenas à
Casa Espírita. A Doutrina dos Espíritos deve ser divulgada à
sociedade difundindo-se para todo o mundo e para cumprir este
trabalho temos a Tecnologia da Informação como importante ferramenta.
Breve História da Transmissão
do Conhecimento
Para fins didáticos podemos dividir a História da
transmissão do Conhecimento em três importantes períodos:
período da transmissão oral, período da transmissão escrita e
período da transmissão multimídia.
Tais períodos fizeram a evolução do conhecimento mítico para o conhecimento racional e globalizado.
O período da transmissão oral.
O Homem é um ser social por excelência. Desde seus
primórdios sempre teve a necessidade de se reunir com seus
semelhantes para compartilhar experiências, ou seja, para
transmitir sua cultura. Em regra, o ser humano nunca conseguiu
ser feliz em solidão de modo que relacionar-se é uma necessidade
intrínseca para sua identidade e sobrevivência.
Cultura por sua vez constitui-se o conjunto de saberes e
expressões de um grupo, povo ou nação. O que perpetua a Cultura
é sua transmissão de geração a geração formando um cânone de tradições.
Desde os períodos mais remotos da pré-história o homem
se reuniu em clãs, passando a formar tribos, para depois formar as
primeiras civilizações. Assim, o que dava sentido aos primeiros
ajuntamentos era justamente a transmissão de conhecimentos.
A primeira forma de transmissão de conhecimentos foi a
transmissão oral.
Conhecimentos básicos sobre a obtenção de alimentos,
técnicas de sobrevivência, relacionamento interpessoal e religião
eram passados de pai para filho. Informações sobre os cuidados do lar e da prole por sua vez eram passados de mãe para filha.
Esse conjunto de saberes constitui a Tradição Oral que foi
progressivamente evoluindo para formar o mito que era um
conjunto de alegorias, deuses e semideuses que traziam em si
diversos ensinamentos.
O mito foi o primeiro mecanismo criado para a
memorização de conhecimentos da Tradição Oral, pois era
composto por um conjunto de ritos ou narrativas. A tradição oral
mítica era um saber simples e organizado por meio de lendas que
facilmente eram passadas de geração a geração de forma
democrática, atingindo todos os membros do grupo social.
Depois da criação do mito, a transmissão oral continuou
evoluindo mudando depois da forma narrativa para a forma
poética e cantada. O canto poético foi uma inovação que permitia a
memorização de grande quantidade de conhecimentos
organizados utilizando-se a sonoridade das palavras. Sua origem
ocorreu cerca de 10.000 anos antes de Cristo tendo como seus
maiores expoentes Homero e Hesíodo na antiga Grécia.
Homero viveu aproximadamente por volta de 850 a.C. e foi
o grande autor das clássicas obras da literatura grega A Ilíada e A
Odisséia. A Ilíada era um poema épico que narra a Guerra de Troia,
na qual gregos e troianos lutam bravamente em luta pela
sobrevivência e poder. Os principais personagens deste poema
são Helena, Paris, Aquiles, Menelau, Agamêmnon e Odisseu
(Ulisses). Os gregos vencem os troianos através de um
estratagema. A construção de um grande cavalo de madeira
dentro do qual esconderam soldados para poder entrar na bem
fortificada cidade de Tróia.
Hesíodo viveu cerca de 120 anos depois de Homero
compondo poemas que tratavam sobre os saberes míticos do povo
grego e suas divindades. Suas principais obras foram O Trabalho e
os Dias e a Teogonia, cujo conteúdo é responsável pela maior parte
de nosso conhecimento sobre a mitologia grega. Seus principais
personagens foram os Titãs, Chronos, os deuses do Olimpo, Prometeu e seu irmão Epimeteu.
O período da transmissão escrita.
O Homem além de ser social por excelência carrega dentro
de si grandes potencialidades e o gérmen da evolução.
O ser humano sempre buscou a inovação.
Tão grande era a preocupação com a transmissão do
conhecimento, que se percebeu que a forma oral era precária, pois
sempre havia o risco do esquecimento e por isso, o homem
procurou criar sistemas para registrar o conhecimento.
Desde os tempos mais remotos da pré-história o homem
fez uso da pictografia, que eram as pinturas e gravuras feitas em
rochas e cavernas.
Cerca de 5.500 a.C sumérios e egípcios fizeram a evolução
da pictografia criando respectivamente a escrita cuneiforme
(sinais grafados em placas de barro) e a escrita hieroglífica
(figuras talhadas em pedras).
A criação da escrita foi determinante para a formação das
primeiras civilizações e foi o marco que fez a humanidade passar
da Pré-história para a História propriamente dita.
Os Egípcios não ficaram restritos apenas aos registros
feitos em pedras, inovaram o registro escrito com a criação do
papiro cerca de 3.500 a.C, espécie de papel feita com junco que
nascia as margens do rio Nilo. O papiro fui usado durante muitos
séculos, sendo sucedido na idade média pelo pergaminho
(pedaços de couro).
No século VI a. C os chineses começaram a fabricar um
papel com características semelhantes ao nosso atual papel, seu
processo de fabricação deu origem ao moderno processo de
fabricação.
O problema da transmissão escrita do conhecimento é sua
falta de democracia, passando a ser privilégio de uma minoria de
pessoas letradas. O Conhecimento passou a ser dominado pelas
classes dirigentes e a grande massa popular passou a ser relegada
à total ignorância. Por isso a Tradição oral continuou existir, pois
era a forma que o conhecimento era transmitido entre as pessoas das massas.
O Conhecimento inicialmente estava sob domínio dos reis e
sacerdotes das civilizações da antiguidade passando para o
domínio dos imperadores romanos e por fim, para o domínio da
Igreja Católica Apostólica Romana por toda a Idade Média,
Renascimento, Era Moderna (descobrimentos) e até o início da
Era Contemporânea com o Iluminismo e a Revolução Francesa.
O primeiro passo para a liberação do conhecimento foi a
criação da imprensa no Século XV pelo alemão Johannes
Gutenberg que por volta de 1439 inventou a impressão por tipos
móveis confeccionados com chumbo. Sua invenção permitiu a
impressão em grande escala. Sua maior obra foi a impressão da
Bíblia de Gutenberg.
Com a imprensa o conhecimento começou a ter maior
divulgação, no entanto, ainda estava restrita a pequenos grupos de
intelectuais.
O segundo grande passo para a liberação do conhecimento
foi o movimento filosófico do Século XVIII denominado de
Iluminismo. Isaac Newton, Voltaire, Montesquieu, Jean-Jacques
Rousseau, Denis Diderot, Benjamin Constant, dentre outros,
romperam com o pensamento dogmático medieval e voltou-se
para a importância da razão e da ciência. Todo conhecimento
deve ser baseado por meio da filosofia aliada à ciência.
Os Iluministas questionaram o poder imperativo da Igreja e
da Monarquia em apoio à crescente burguesia que buscava maior
espaço na sociedade. O Iluminismo culminou com a Revolução
Francesa e a Independência dos Estados Unidos da América,
eventos que mudaram substancialmente o mundo, dando início a
Era Contemporânea da História.
A principal contribuição do iluminismo foi a evolução
do conhecimento mítico para o conhecimento
racional.
O período da transmissão multimídia.
Depois que a humanidade passou do período mítico para o
período racional, avanços sociais e tecnológicos ocorreram em
intensidade até então nunca vista.
A revolução industrial mudou totalmente os meios de
produção que antes eram artesanais e passaram a ser feitos em
linha de produção. O mesmo ocorreu com a transmissão do
conhecimento que antes estava restrito a grupos privilegiados
passando então para as massas. Gradativamente o analfabetismo
foi reduzido, as pessoas começaram a ter mais acesso a escolas e
livros.
No Século XIX, Guglielmo Marconi inventou o Rádio e nos
Estado Unidos da América em 1906 iniciaram as primeiras
transmissões radiofônicas. O rádio passou a ser um dos principais
meios de comunicações até quase o final do século XX.
Em 28 de dezembro de 1895, na França, os irmãos Lumière
criaram o cinematógrafo dando início ao cinema que evoluiu a
forma de narrar histórias passando a ocupar o espaço que antes
era do Teatro. A Criação do cinema foi conseqüência da invenção
da fotografia no século XIX.
Em 1923, Vladimir Zworykin inventou a televisão que
passou a ter suas primeiras transmissões em 1925 em Nova York.
A televisão foi conquistando espaço entre as massas e sem dúvida
foi o maior meio comunicação do século XX.
Um ponto importante a ser destacado é diversificação na
transmissão do conhecimento durante o Século XX. Da mesma
forma que o Rádio não tornou o livro obsoleto, a Televisão não
tornou o rádio obsoleto tampouco o cinema, pois os filmes
passaram a fazer parte da programação televisiva. Essa
diversidade de meios de comunicação é conhecida como multimídia.
O Computador e a era digital.
A invenção que mais revolucionou a transmissão do
conhecimento foi o Computador. Em 1936 foi construído o
primeiro computador eletro-mecânico pelo engenheiro alemão
Konrad Zuse. Sua invenção foi desprezada pelo Governo Alemão e
foi ultrapassada pelos engenheiros americanos.
Os engenheiros americanos John Presper Eckert e John
Mauchly criaram o Eniac (Eletronic Numeric Integrator And
Calculator) que foi utilizado durante a Segunda Guerra Mundial no
cálculo da trajetória de mísseis.
Os computadores foram pouco a pouco sendo aprimorados,
diminuindo seu tamanho e aumentando sua capacidade de
processamento e armazenamento de dados.
Durante a Guerra Fria em 1955, a agência Americana ARPA
(Defense Advanced Research Projects Agency) Agência de
Projetos de Pesquisa Avançada criou uma rede de computadores
que conectados entre si poderiam manter comunicação mesmo em caso de ataques inimigo, pois o tráfego de dados poderia ser
redirecionado em outras conexões. Esta rede de computadores
deu origem a Internet.
Até 1970 os grandes computadores (mainframes)
dominavam o mercado, então foram criados os primeiros PCs
(Computadores pessoais).
As três primeiras gerações de computadores refletiam a
evolução dos componentes básicos do computador (hardware) e
um aprimoramento dos programas (software) existentes.
Os computadores de primeira geração (1945–1959)
usavam válvulas eletrônicas, quilômetros de fios, eram lentos,
enormes e esquentavam muito.
A segunda geração (1959–1964) substituiu as válvulas
eletrônicas por transistores e os fios de ligação por circuitos
impressos, o que tornou os computadores mais rápidos, menores
e de custo mais baixo.
A terceira geração de computadores (1964–1970) foi
construída com circuitos integrados, proporcionando maior
compactação, redução dos custos e velocidade de processamento
da ordem de microssegundos. Tem início a utilização de avançados sistemas operacionais.
A quarta geração, de 1970 até hoje, é caracterizada por um
aperfeiçoamento da tecnologia já existente, proporcionando uma
otimização da máquina para os problemas do usuário, maior grau
de miniaturização, confiabilidade e maior velocidade, sendo da
ordem de nanossegundos (bilionésima parte do segundo).
O termo quinta geração foi criado pelos japoneses para
descrever os potentes computadores "inteligentes" que queriam construir em meados da década de 1990. Posteriormente, o termo
passou a envolver elementos de diversas áreas de pesquisa
relacionadas à inteligência computadorizada: inteligência
artificial, sistemas especialistas e linguagem natural.
Mas o verdadeiro foco dessa ininterrupta quinta geração é
a conectividade, o maciço esforço da indústria para permitir aos
usuários conectarem seus computadores a outros computadores.
O conceito de super via da informação capturou a imaginação
tanto de profissionais da computação como de usuários comuns.
A conectividade ocorreu efetivamente a partir de 1988
quando a Internet começou a ser aberta para fins comerciais.
Atualmente a Internet interliga o mundo inteiro, um mundo novo
globalizado onde os povos se comunicam e fazem negócios, salvo
poucas exceções em países sob regimes totalitários.
Após o advento do computador e Internet a humanidade
deixou a era analógica para entrar na era digital na qual tudo é
conectado via informática. A partir de então o conceito de
multimídia cresceu, pois todas as formas de transmissão de
conhecimento passaram a ser centralizadas pela Tecnologia da
Informação.
O gerenciamento, bem como a manutenção deste tráfego de
dados por meio da informática para os mais diversos fins passou a ser chamado de Tecnologia da Informação.
A evolução da informática não ficou apenas restrita ao
Computador pessoal e ao conceito de multimídia. Foi criado o
conceito de interatividade que é um conceito que quase sempre
está intrinsecamente associado às novas mídias de comunicação
podendo ser definida como:
“uma medida do potencial de habilidade de uma mídia permitir que
o usuário exerça influência sobre o conteúdo ou a forma da comunicação mediada.”
Justamente na aplicação desse potencial de interatividade
os PCs estão sendo sucedidos pelos Notebooks e Net book que são
computadores portáteis e de tamanho reduzido que hoje equivale
ao tamanho de uma agenda pelos quais o usuário pode acessar a
Internet em qualquer lugar.
Além dos notebooks e net books as pessoas passaram a
contar com celulares que além de servirem para chamadas
telefônicas, servem para acesso à Internet, bem como os Tablets
que são pranchetas sem teclado que permitem o acesso à Internet
com um simples toque do dedo em sua tela.
A evolução da informática não está restrita apenas ao
hardware (equipamentos de informática), ela também ocorre no
campo dos softwares (programas) que resultam numa quantidade
maior de dados que são tratados em maior velocidade por meio de
equipamentos cada vez menores e com aplicações mais
abrangentes.
Atualmente a tecnologia digital e a multimídia estão
presentes em diversas áreas como educação, indústria, comércio,
serviços e lazer.
A grande expectativa desde século é a nanotecnologia que é
o estudo e manipulação da matéria em escala atômica e molecular.
A nanotecnologia produzirá equipamentos em tamanho molecular
que substituirá atual tecnologia que utiliza os chips que por sua
vez sucederam os transistores. Teremos então equipamentos
menores que a cabeça de um alfinete.
Termino este capítulo formulando uma questão: Se as
aplicações da informática já estão presentes em quase todas as
áreas, porque não empregá-las na divulgação do Espiritismo?
Livro A TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO NO
ESPIRITISMO
Rodrigo Felix da Cruz